Gol de Coutinho contra a Suíça não cai no Enem, mas o do Paulinho contra a Sérvia pode cair; entenda a razão

0
29

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo da Rússia deixou lições ao treinador Tite e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas os feitos da seleção canarinha em campo também podem ensinar muito aos estudantes, especialmente se eles estão se preparando para o vestibular.

A principal lição na hora de estudar física é: esqueça o golaço que Philippe Coutinho fez na partida de estreia do Brasil contra a Suíça. Ele foi eleito pela Fifa o mais bonito da primeira fase da Copa do Mundo da Rússia, onde os 32 times marcaram um total de 122 gols em 48 jogos da primeira fase, mas é a física por trás do gol de Paulinho contra a Sérvia que tem mais probabilidade de aparecer nas provas.

O motivo é simples: o movimento feito pela bola quando Paulinho encobriu o goleiro sérvio se trata de um lançamento oblíquo, um dos assuntos frequentes das questões de física do vestibular.

Já a curva lateral que Coutinho imprimiu em seu chute é na verdade o que os físicos chamam de “efeito Magnus”, um assunto que é complexo demais para estudantes do ensino médio e, portanto, que não é pedido nas provas da Fuvest, do Enem e de outros vestibulares.

Para explicar como o lançamento oblíquo aparece nas provas e como alguns gols da Copa podem ajudar a acertar a questão, o G1 ouviu:

  • Emico Okuno, professora de física da Universidade de São Paulo (USP), autora de livros didáticos e co-autora, ao lado do também professor Marcos Duarte, do livro “Física do futebol” (Editora Oficina de Textos)
  • Kevork Soghomonian, professor de física do Cursinho Hexag, autor de livros didáticos e consultor e corretor de vestibulares

“É uma questão muito complicada, como a bola de repente faz uma curva”, explicou Emico, que hoje tem 81 anos e é santista desde a época de Pelé, ao G1, sobre o chute de Coutinho.

Já o corintiano Kevork explica que o lançamento oblíquo aparece bastante nos vestibulares porque ele exige dos candidatos uma série de conhecimentos típicos da física do ensino médio, mais especificamente da cinemática. Por isso, apesar de ser praticamente impossíve o gol em si cair na prova – afinal, as questões do Enem 2018 costumam ser definidas antes da Copa –, o conceito por trás dele é o mesmo.

Veja a lista de assuntos a estudar para ir bem nessa área, segundo o professor:

  • vetores
  • cinemática vetorial
  • conceitos preliminares de física (partícula, trajetória, posição, deslocamento escalar e referencial)
  • velocidade média
  • Movimento Retilíneo Uniforme (MRU)
  • Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (MRUV)
  • queda livre e lançamento vertical
  • lançamento horizontal
  • lançamento oblíquo

No caso do lançamento oblíquo, Kevork diz que as questões pedidas pelas universidades e na prova de ciências da natureza do Enem costumam trazer exemplos inspirados na vida real, como um jato d’água de uma mangueira, o lançamento de uma pedra do topo de um edifício e movimentos existentes em vários esportes, como o corte da bola na rede do vôlei e o lançamento de um martelo.

Em todos os casos, o objeto lançado faz uma trajetória curva conhecida por vários nomes, como parábola, elipse ou hipérbole. “Inclusive a reta é uma curva”, explica o professor. “É uma curva de raio infinito.”

Cinco opções de enunciado

Kevork indicou que, geralmente, são cinco as propostas típicas de um enunciado de vestibular envolvendo o lançamento oblíquo:

  1. altura máxima que a bola atingiu
  2. alcance da bola em linha reta
  3. a velocidade média em que a bola foi chutada
  4. o ângulo formado pelo chute e o início da trajetória
  5. o tempo total que a bola levou viajando (ou seja, o “tempo de queda”)

Veja, no chute de Paulinho, que dados uma questão de vestibular tem mais chance de exigir:

Veja, a seguir, exemplos de três questões de vestibular envolvendo lances de futebol (fictícios ou reais, incluindo o “gol que Pelé não fez”) e quais conhecimentos elas pediram (as respostas estão no fim da reportagem):

Na Unicamp 2012, os candidatos receberam o alcance da bola e uma das alturas na trajetória dela, e precisaram calcular a altura máxima da parábola (Foto: Reprodução/Comvest)

Na Unicamp 2012, os candidatos receberam o alcance da bola e uma das alturas na trajetória dela, e precisaram calcular a altura máxima da parábola (Foto: Reprodução/Comvest)

Em 2010, o vestibular do segundo semestre da Universidade Federal do Tocantins (UFT) descreveu uma parábola informando a massa da bola, o ângulo do chute e a altura máxima, e pediu o cálculo da velocidade inicial da bola (Foto: Reprodução/Copese)

Em 2010, o vestibular do segundo semestre da Universidade Federal do Tocantins (UFT) descreveu uma parábola informando a massa da bola, o ângulo do chute e a altura máxima, e pediu o cálculo da velocidade inicial da bola (Foto: Reprodução/Copese)

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here