O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) exonerou nesta segunda-feira (14) a presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Maria Inês Fini, e três diretoras do órgão. O Inep é ligado ao MEC (Ministério da Educação) e responsável pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), prova cuja edição do ano passado foi criticada abertamente pelo então candidato à Presidência.

As exonerações foram publicadas na edição de hoje do Diário Oficial da União. Além de Fini, deixam o Inep a diretora de estudos educacionais, Alvana Maria Bof; a diretora de gestão e planejamento, Eunice de Oliveira Ferreira Santos; e a diretora de avaliação da educação básica, Luana Bergmann Soares.

Maria Inês Fini foi uma das autoras do projeto original do Enem, desenvolvido para avaliar a qualidade de aprendizado dos estudantes que terminam o ensino médio. O exame começou a ser aplicado em 1998.

O novo presidente do Inep será o engenheiro Marcus Vinicius Rodrigues, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em São Paulo.

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A diretoria de avaliação da educação básica, que cuida do Enem, ficará a cargo de Murilo Resende, doutor em economia também pela FGV. Professor universitário em Goiás desde 2015, Resende já foi aluno do curso online do escritor Olavo de Carvalho, apontado como guru da direita e responsável pela indicação de Ricardo Vélez Rodríguez ao cargo de ministro da Educação.

Crítica ao Enem

A mudança no comando do órgão vem depois de Bolsonaro ter criticado o Enem do ano passado por ter trazido uma pergunta que citava o “dialeto secreto” de gays e travestis. Segundo o presidente, a questão não media “conhecimento nenhum”.

O Enem 2018 trazia um texto sobre o “pajubá, o dialeto secreto dos gays e travestis” e questionava o candidato quanto aos motivos que faziam a linguagem se caracterizar como “elemento de patrimônio linguístico”. Na época da prova, em novembro, o Inep não quis comentar as críticas de Bolsonaro.

Durante a transição de governo, Bolsonaro descartou publicamente o nome de Maria Inês Fini para comandar o MEC, citando o Enem como motivo. “Essa não esteve à frente do Enem? Está fora, cartão vermelho”, afirmou.

No começo de dezembro, em entrevista ao UOLFini classificou o episódio como um “verdadeiro absurdo”, e relatou que amigos e familiares foram ofendidos via redes sociais após as críticas de Bolsonaro.

“É não compreender a natureza da prova e não entender que pedir para o jovem que ele identifique as características de um dialeto como uma identidade linguística de um pequeno grupo e, sem querer, foi o grupo LGBTI, não vai fazer ninguém virar homossexual”, disse.

UOL

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