O ex-ministro Henrique Eduardo Alves (MDB) relembrou o aniversário de 50 anos da cassação de seu pai, Aluízio Alves, e seus tios, Garibaldi e Agnelo Alves, pela Ditadura Militar por meio do Ato Institucional nº 5 no dia 7 de fevereiro de 1969.

Em artigo publicado no jornal Tribuna do Norte do último domingo, 10, Henrique narrou suas recordações da época, conclamando que, em nome de seu pai e tios, a luta que eles perseguiram vai continuar.

“Todo dia nossos radicais adversários anunciavam que a cassação de Aluízio sairia na Voz do Brasil. Noites passavam e o anunciado ‘previamente’ não saia. Neste fatídico dia 07 [de fevereiro], saiu, Aluízio Alves cassado pela Ditadura Militar. Um grupo pequeno, mas barulhento, bebia na Confeitaria Atheneu. Figuras conhecidas, lembro bem, e depois a comemoração que fizeram – foguetões e ódio juntos”, conta.

Na época, Aluízio cumpria seu terceiro mandato como deputado federal. Garibaldi, por sua vez, ocupava lugar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, enquanto que Agnelo era prefeito de Natal quando teve seus direitos políticos cassados.

“O que não conseguiam no voto, nas ruas e urnas, nos corações e nos ideais, conseguiram com o General de plantão na Presidência da República”, relata Henrique. “Parecia um pesadelo. Meu pai no Rio, em casa, com mamãe, a receber Magalhães Pinto, que lhe comunicaria, solidário na imensa dor e brutal injustiça”.

Henrique afirmou ainda que, após a cassação de Aluízio e seus tios, ele e seu primo Garibaldi foram os responsáveis por reerguer a bandeira do MDB.

“Eis que dois meninos, eu com 21 anos e Garibaldi com 23, reerguemos a bandeira verde arriada pela força. Fomos os deputados federal e estadual mais votados, proporcionalmente, do país. Em cada canto e recanto deste Estado tem a marca desta resistência de Henrique e Garibaldi, ao lado de muitos e muitos companheiros”.

Henrique, que além de ter sido ministro, acumula em sua vida 11 mandatos como deputado federal, foi preso em 6 de junho de 2017 em desdobramento da Operação Lava Jato, por corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro na construção da Arena das Dunas, e desvios no Fundo de Investimentos do FGTS. Ele acabou solto no dia 13 de julho de 2018.

“Com todas as violências e injustiças, também desse Brasil que vivemos – sei tanto – o aprendizado: nosso Deus, da misericórdia e da paz, perdoai aqueles que não sabiam o que faziam”, escreveu Henrique.

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