Marina Silva lança pré-candidatura à Presidência em 2018

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(Elza Fiuza/Agência Brasil)

Marina Silva anunciou, neste sábado (2), sua pré-candidatura à presidência nas eleições de 2018. A ex-senadora convocou evento de seu partido, Rede, para discursar sobre a decisão.

Durante sua fala, Marina, que explicou todo o processo de sua decisão, destacou que o “compromisso e o senso de responsabilidade” a convocam para esse momento. “Toda essa situação que o Brasil está vivendo exige de nós compromisso e exige de nós senso de responsabilidade”, disse.

Para culminar na pré-candidatura, Marina contou ter falado com muitos amigos e colegas de profissão para concluir sua posição. Em determinado momento, lembrou do que ouviu de seus filhos: “mamãe, nessa crise que está aí, você tem que estar presente no processo, mesmo sabendo das dificuldades”.

No entanto, ela fez questão de afirmar que não se vê como “salvadora da pátria”: “esse não é o momento para salvadores da pátria. A pátria é uma construção de todos nós”.

Em um discurso parecido com o das campanhas anteriores, Marina não citou nominalmente nenhum de seus pré-adversários, mas criticou indiretamente Jair Bolsonaro por prometer distribuir fuzis para fazendeiros enfrentarem o MST.

A agora pré-candidata da Rede fez críticas também ao governo do presidente Michel Temer. Disse que a recuperação econômica ainda é lenta e que o País precisa de outras reformas que não as que o governo está propondo. “Um governo com 3% de aprovação não tem como construir reformas importantes, até porque as reformas importantes não são essas”, declarou.

Segundo ela, o País vive uma crise política, ética e uma crise econômica que só agora dá sinais de pequena recuperação. “Temos diminuição da inflação, mas, se não tivermos processo duradouro, não tem como se sustentar. O déficit publico só aumentou no governo do Temer.”

A ex-ministra disse que, em 2014, boicotaram registro da Rede e ela teve que ir para uma candidatura de última hora. Lembrou uma conversa que teve com o ex-governador Eduardo Campos, que faleceu num acidente de avião durante a campanha e com isso ela se tornou candidata, sobre a presidente Dilma Rousseff, que acabou sendo reeleita. “Disse a ele que teria sido um grande presente para Dilma se a gente tivesse ganhado a eleição de 2014”, afirmou a pré-candidata, que durante o processo de impeachment foi criticada por sua postura dúbia e pouco assertiva.

Segundo ela, a crise política foi causada por PT, PSDB e PMDB e que agora o eleitor deveria puni-los nas urnas. “O melhor presente que a sociedade (deve dar) para os partidos que criaram essa crise é um sabático de quatro anos.”

A ex-senadora fez críticas também ao sistema político, disse que o partido terá apenas 0,05% do fundo eleitoral pois esses partidos maiores “privatizaram” os meios políticos para se manterem no poder. “Teremos 12 segundos de televisão”, afirmou. Ela repetiu o discurso usado nas eleições anteriores de que essa fraqueza aparente, que também é atribuída a ela, na verdade é força. “Esse não é o momento para salvadores da pátria, a pátria é uma construção de todos nós”, destacou. “As coisas grandiosas não são feitas por um único partido, de uma pessoa”, afirmou, ressaltando que está vivendo a dor e a delicia “de ser quem somos”.

Marina falou que “as dificuldades servem para exercitar a musculatura da persistência” e reconheceu que “vai ser difícil”. “Eu sei que vai ser campanha ralada, mas uma campanha ralada doí bem menos que um país partido”, afirmou, recitando trechos da música “Era uma vez”, da cantora Kell Smith.

Marina disse que sua motivação não é o poder pelo poder e que a política é um serviço. Citando a polarização na política, Marina disse que vai repetir a estratégia de não agressão durante as campanhas, porque o País está criando uma cultura política do ódio e “isso não é bom para a democracia”. “Ao me dispor a ser pré-candidata da Rede, vamos continuar dialogando com outros partidos e com a sociedade”, afirmou.

Saudado como “futuro governador do Rio de Janeiro”, o deputado Miro Teixeira (RJ) disse em seu discurso que precedeu a fala de Marina que o partido não quer desacatar a lei e antecipar candidatura, mas que o que a Rede quer é o consentimento da ex-ministra para que seu nome seja o nome do partido. “Em algum momento, essa assinatura terá que ser feita e hoje a assinatura da Marina é a palavra e a palavra ‘sim’”.

Apesar do anúncio, o partido informa que a candidatura ainda precisa ser aprovada no Congresso Nacional da Rede, previsto para acontecer em abril do ano que vem, e a definição de chapa e coligação acontecerá no começo de agosto, conforme prevê a legislação eleitoral.

A dinâmica do evento promovido pela Rede neste sábado visou, externamente, dar força ao anúncio da pré-candidatura ao mesmo tempo em que sinaliza internamente que Marina está fundamentada no apoio de seus correligionários. Com isso, a ex-ministra tenta dirimir a principal crítica interna da qual é alvo: a de que é centralizadora das decisões da legenda.

Agora, ela oficializará a pré-candidatura em abril de 2018, no congresso nacional do partido. A definição de chapa e aliados, no entanto, tem o prazo de até agosto de 2018, data-limite da Justiça Eleitoral para registro da candidatura.

Marina foi candidata ao Palácio do Planalto nas últimas duas eleições presidenciais, ficando em terceiro lugar em ambas as disputas. Em 2014, ela era a candidata a vice-presidente, mas assumiu a titularidade da chapa depois da morte de Eduardo Campos.

Marina anuncia sua decisão sobre as eleições presidenciais de 2018. Compartilhe!

Publicado por Marina Silva em Sábado, 2 de dezembro de 2017

*Com informações da Agência Estado